PF denuncia desvio de dinheiro para a merenda em duas cidades do ABC

PF denuncia desvio de dinheiro para a merenda em duas cidades do ABC

Postado por: Minha Região ABC

Investigação da PF (Polícia Federal), denominada Operação Prato Feito apontou esquema para desvio de verba utilizada na compra de merenda, material e uniforme escolares nas prefeituras de Mauá e São Bernardo.

Ao todo, a ação cumpriu 154 mandados de busca e apreensão em 50 cidades – policiais acharam R$ 4,6 milhões e US$ 217 mil na casa do prefeito de Mongaguá, no litoral paulista, Artur Prócida (PSDB).
No ABC, o secretário de Governo de Mauá, João Eduardo Gaspar, foi preso em flagrante após os policiais encontrarem cerca de R$ 600 mil em dinheiro na casa dele. O político não justificou a origem do recurso.

Ainda em Mauá, há informação de que a PF achou cerca de R$ 80 mil na casa do prefeito Atila Jacomussi (PSB), que também é investigado e foi levado à sede da Polícia Federal para prestar depoimento.

A PF ainda pediu a prisão preventiva do ex-prefeito de Mauá Donisete Braga (ex-PT, hoje no Pros) por associação criminosa e corrupção passiva, o que foi negado pela Justiça. Segundo a investigação, Donisete recebeu vantagem ilícita de Fábio Favaretto Mathias, dono da empresa Le Garçon e acusado de ser um dos líderes da quadrilha. A operação diz que Mathias custeou todas as despesas de Donisete e sua família em viagem aos Estados Unidos, ao custo de aproximadamente US$ 30 mil para, supostamente, determiná-lo a fraudar contratos em andamento com a prefeitura.

A investigação aponta também que Carlos Zeli Carvalho, vulgo Carlinhos, acusado de ser mais um dos líderes do esquema, transferiu regularmente, em 2016, valores, cheques e dinheiro em espécie a assessores do prefeito Átila Jacomussi (PSB), que na época era deputado estadual. Os assessores são o secretário preso ontem e Samara Gomes Barlera, que trabalhou com Átila na Assembleia Legislativa.

Em São Bernardo, a PF acusa o até então Secretário de Assuntos Governamentais, Carlos Roberto Maciel, que também era presidente da Fundação do ABC, de associação criminosa, corrupção passiva, fraude em licitação e de possibilitar vantagem a terceiros em processo licitatório. Maciel é sogro de Mathias, dono da Le Garçon e um dos operadores do esquema.

Na cidade, há indícios, segundo a PF, de que a quadrilha atuou por 11 anos, entre 1997 e 2008, nas gestões tucanas de Mauricio Soares e William Dib, tendo suposto auxílio de Maciel, que era secretário de Assuntos Jurídicos na época, e do ex-vereador Admir Ferro (PSB), que chefiava a Secretaria de Educação na ocasião.

A PF ainda suspeita que a prorrogação de um contrato de R$ 6 milhões com a Le Garçon no ano passado tenha gerado vantagem ilícita em benefício do atual prefeito Orlando Morando (PSDB), mas a investigação diz que não há provas para tal tese.

Outro lado
O detalhamento da Operação Prato Feito ontem fez com que o secretário de Assuntos Governamentais de São Bernardo, Carlos Roberto Maciel, deixasse o cargo. Segundo a administração, ele pediu exoneração logo pela manhã e o pedido foi aceito pelo prefeito Orlando Morando (PSDB). A Fundação do ABC também informou que Maciel não está mais à frente da presidência da instituição após renunciar ao cargo ontem. A médica Adriana Berringer Stephan, até então vice-presidente da Fundação, assume o comando da entidade interinamente.

Ainda sobre as investigações da Polícia Federal, a Prefeitura de São Bernardo informou que desde o início da atual gestão não firmou nenhum contrato com empresas envolvidas na operação e que os esclarecimentos prestados referem-se a contratos de licitação de merenda escolar ocorridos na gestão anterior.

Em nota, Morando disse que todos os contratos suspeitos são “da época do PT ou gestões anteriores”. Porém a PF aponta que a renovação de um contrato com a Le Garçon foi feito no ano passado. “Que fique claro: A própria apuração sobre o prefeito Orlando Morando alega não ter elementos de recebimento”, diz a nota.

A Prefeitura de Mauá confirmou que Polícia Federal esteve no paço ontem, mas alega que foi em busca de processos administrativos referentes a administração passada. O Executivo disse que disponibilizou toda a documentação necessária e está colaborando com a investigação da Polícia Federal. “O prefeito Átila Jacomussi compareceu voluntariamente à Polícia Federal para prestar mais esclarecimentos”, diz nota da prefeitura.

A Le Garçon foi procurada, mas o setor comercial da empresa informou que não tinha informações para dar sobre a operação.

O ex-prefeito de Mauá Donisete Braga disse que não iria se pronunciar sobre a investigação.
A reportagem não conseguiu contato com os demais citados na reportagem.

Texto: Redação
Foto: Reprodução/TV Globo

 

 

 

0 0 718 10 maio, 2018 Minha Região, Regional maio 10, 2018

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